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Psicominuto

O sonho é, ainda hoje, alvo de grande controvérsia por parte das várias escolas da Psicologia. Já sendo uma experiência que possui significados distintos, ainda aumenta a complexidade quando é inserido como tema em debates da religião, da ciência e/ou da própria cultura.
Comecemos por algumas versões religiosas e culturais, em que o sonho aparece revestido de poderes premonitórios. Exemplo disso é, no Novo Testamento, a história que “reza” que São José é avisado durante um sonho, pelo anjo Gabriel, de que sua esposa traz no ventre uma criança divina, sendo que mais tarde o mesmo anjo o volta a avisar para fugir para o Egito.
À luz de uma das correntes da Psicologia – a Psicanálise - Sigmund Freud, com a publicação de A Interpretação dos Sonhos, em 1900, tentou dar um carácter científico à matéria, definindo o conteúdo dos sonhos como a “realização dos desejos”. Ou seja, no enredo onírico há o sentido manifesto (a “fachada”) e o sentido latente (o significado). Por meio da interpretação simbólica, seria portanto possível desvendar o desejo real do sonhador, por detrás dos seus relatos, por mais absurda que a narrativa pudesse parecer.
O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung pensou, falando de uma forma muito rudimentar, que os sonhos não teriam um papel somente de revelação dos desejos do inconsciente, mas sim, seriam uma ferramenta que ajudava a mente a equilibrar-se, em função dos conflitos que esta pudesse atravessar.
Alguns neurocientistas, afirmam que o sonho é apenas uma espécie de tráfego de informação sem sentido que tem por função manter o cérebro em ordem. Esta teoria só não explica como esses enredos, supostamente desconexos, são responsáveis por grandes insigths, como aconteceu, por exemplo com Francis Crick, ou Paul MacCartney. Francis Crick, um dos cientistas que descobriu a forma em dupla hélice da molécula de DNA, sonhou com duas cobras entrelaçadas na noite anterior à grande descoberta. O beatle Paul McCartney sonhou com uma melodia, acordou, foi para o piano e compôs “Yesterday”, um dos maiores clássicos de todos os tempos. Há muitos outros casos de sonhos reveladores em várias áreas da ciência e da arte. O que não impede que os sonhos sirvam também para recuperar a saúde do organismo e do cérebro.
Seja como for, não queremos, como poderia ser de esperar, continuar este artigo falando sobre interpretações de sonhos e outros afins (por muitos motivos, mas principalmente porque pouco ou nada percebemos de assuntos oníricos).
A mensagem com que prosseguimos é outra: remete para aqueles outros sonhos que temos… aqueles que somos nós que escolhemos sonhar.
Como nos diz Sofia Barrocas, editora executiva da Revista Notícias, “parte de nós é feita de sonhos”, independentemente das suas explicações, independentemente de quem os tenta interpretar. Por isso mesmo, os sonhos não devem “permanecer na inconsciência”, mas devem ser encaminhados para o nosso coração, e se possível, rumar à nossa cabeça, à nossa razão, para nos impulsionarem à mudança e à iniciativa. Porque no fundo todos sabemos algo que é bem verdade: “que o sonho comanda a vida” e “que sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança”.
Por apenas uma semana, por um dia ou por uns minutos… sabemos que é óptimo vermos concretizado um sonho. Se temos tantos, não é porque um se realizou que os outros deixarão de existir.

Então, qual é o medo?!

Daniel Vieira da Silva
 
 
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