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Aprender fotografia na GARE

A iniciativa GARE arranca no dia 6 de Abril, em Braga. Com o selo dos Encontros da Imagem, esta é uma escola que tem como objectivo a formação na área da fotografia e das artes visuais, e que representa o concretizar de um sonho com já 20 anos, como referiu o fundador dos “Encontros da Imagem”, Rui Prata, também ele formador nesta iniciativa. O principal objectivo desta formação, além de ensinar a fazer fotografia, é proporcionar aos alunos a criação de uma “capacidade de descodificar as mensagens das fotografias”.
O curso vai funcionar com quatro formadores para oito módulos livres, entre os quais, Introdução à Fotografia, Laboratório Digital, Design Gráfico, História da Fotografia e Fotografia Contemporânea. “A técnica não poderá estar ausente da teoria. É necessário complementar os conhecimentos práticos com conhecimentos teóricos. O deslumbramento técnico é muito perigoso”, ressalvou Ângela Ferreira, uma das formadoras. Na opinião da docente, é fundamental que se saiba a História da fotografia e se conheçam os “novos territórios” que a esta vai “descobrindo”.
Segundo a formadora, os “módulos direccionam-se a um público interessado na linguagem artística, mas também se pretende criar novos públicos”. Ou seja, “o curso também se dirige a fotógrafos que pretendam desenvolver técnicas de composição gráfica”, acrescentou a formadora. Em termos gerais, o principal objectivo é “democratizar a fotografia a as artes visuais”, dado que se pretende uma “aproximação mais lúdica” a ambas as áreas. “Não queremos ficar presos só à fotografia, partindo, também, para o vídeo e outras formas de construção artística visual”, enalteceu Rui Prata.
Num futuro, os formadores acreditam que estes módulos livres cheguem a integrar um “curso estruturado”. “Estamos conscientes que estamos a contribuir para o enriquecimento cultural”, confidenciou Ângela Ferreira.
A GARE surge, então, numa cidade ligada à imagem. “Todos nós temos a consciência que vivemos num mundo de imagens e esse número de imagens quase nos cega”, explicou Rui Prata. No entanto, o formador e director do Museu da Imagem lamenta que o ensino das artes visuais seja “deficitário” na capital minhota, não havendo espaços que lhes sejam dedicados, nem tão pouco o ensino das mesmas. “Há áreas que já estão muito tocadas, como a música, o teatro e a dança, mas no domínio das artes visuais, não há estruturas de ensino organizadas e, desta forma, parece-nos que tem todo o cabimento o aparecimento da GARE”, justificou.
Assim, a GARE vai decorrer na sede de uma instituição de cariz social, a Associação Santa Maria de Braga, na Rua D. Afonso Henriques, que “gentilmente cedeu o espaço”, explicou Rui Prata. “Ambicionamos que a GARE possa, num futuro, passar para as Oficinas de Braga, para a Estação”, acrescentou.
Lançando os “Encontros da Imagem” deste ano, que se vão realizar entre o dia 17 de Setembro e 31 de Outubro, Rui Prata afiançou estarem numa fase “quase zero em termos de financiamento”. “A sobrevivência de um festival com 20 anos, em Portugal, é rara. Há o ‘Fantasporto’ e mais meia dúzia de acontecimentos culturais”, exemplificou. Para o feito, o fundador pretende fazer um protocolo com o Ministério da Cultura, ainda durante a presente legislatura. “Temos tido um apoio regular da Câmara Municipal e, pontualmente, de uma ou outra empresa. Mas é sempre uma insegurança”, lamentou. A principal razão para a falta de financiamento é o facto de Portugal continuar a ser “um país macrocéfalo, muito centralizado em Lisboa”. “O próprio Porto tem sérias dificuldades, e Braga muito mais”, concluiu.

Daniel Vieira da Silva
 
 
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