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CD RUM: Chrysta Bell veste Lynch

Alfred Hitchcock, o mestre do suspense, foi (oficialmente!) o primeiro realizador a ter uma entrada num dicionário com um adjectivo a partir do seu nome. E hoje, quando queremos qualificar algo misterioso, com uma aura e alma próprias, um ambiente de intriga, dizemos que é “hitchcockiano”. A história do cinema, apesar de longa, não é prolífica em adjectivos do género. Mas, uma das honrosas excepções vai para David Lynch, realizador capaz de construir um imaginário próprio, um ambiente de fumo e sexo, um ambiente de leviandade e exotismo, como poucos conseguiram - e muito graças a filmes obscuros como MullHoland Drive e Blue Velvet ou a um portento chamado Twin Peaks. 
Mas David Lynch é mais que um realizador. É, entre outras coisas, músico e produtor. E é nesta última faceta que nos chega esta semana ao CD RUM. Lynch é o responsável pela produção do álbum de estreia de Chrsyta Bell, “This Train”, um trabalho que segue por caminhos de pop atmosférica e ambiental. Mas Chrysta Bell, a ruiva que figura na capa (de gosto duvidoso!) do disco não é uma estreante nestas lides. Militou inclusivamente numa banda que juntava música a uma certa atitude performativa e o seu esforço vocal merece um louvor da nossa parte, pelo carácter, ora intimista, ora instigador das palavras sussurradas. A cantora, aquando da apresentação deste trabalho, explicou que Lynch trabalhou como se de um filme se tratasse. E tal , como num filme, nota para as excelentes imagens do single “Real Love” (o vídeoclip é um excelente exemplo da vida cinematográfica de Lynch) ou de temas  como “I Die” (onde o lamento de Chrysta Bell caíria bem no funeral de um de nós) ou “Polish Poem” (tema que já figurou na banda sonora do último filme, “Inland Empire”, com um valor seguro como Laura Dern como protagonista).

 
 
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