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CD RUM: “it’s all about parallax”

Parallax é o fenómeno visual que afecta a percepção dos objectos a diferentes distâncias, dependendo da posição dos observadores. Este termo é também usado em Astronomia e agora é também o título do terceiro disco de Atlas Sound. Para quem não sabe, Atlas Sound é mais uma forma que Bradford Cox (sim, o dos Deerhunter) encontrou para exorcisar os seus fantasmas. E ainda bem que o faz, porque ele é um dos artistas mais interessantes e criativos da cena indie contemporânea.
 

CD RUM: Little Dragon

Yukimi Nagano, a sueca com raízes nipónicas, está de volta com o seu projecto Little Dragon. Com residência mais ou menos fixa nos Koop, Nagano tem sido bastante solicitada nos últimos tempos. As colaborações recentes com Gorillaz, SBTRKT, Maximum Ballon e Dj Shadow, entre outros, tornaram “Ritual Union” um dos discos mais aguardados do ano. Neste terceiro disco, os Little Dragon trazem-nos uma fusão aperfeiçoada da sonoridade dos anteriores, inspirada no synthpop, trip hop e até mesmo funk e soul. Deixando de lado as comparações, “Ritual Union” apresenta uma sonoridade muito própria, madura e bem disposta, alicerçada na voz límpida e angelical de Nagano que funciona como o principal elemento que dá vida às canções e as ilumina. Durante todo o disco, a banda é extremamente eficaz na concretização dos elementos mais atraentes do seu estilo, resultando num conjunto de canções densas e climáticas. Em suma, um disco de pop moderno bem executado e que mantém os Little Dragon em ascendência e com um futuro brilhante.
 

CD RUM: Chrysta Bell veste Lynch

Alfred Hitchcock, o mestre do suspense, foi (oficialmente!) o primeiro realizador a ter uma entrada num dicionário com um adjectivo a partir do seu nome. E hoje, quando queremos qualificar algo misterioso, com uma aura e alma próprias, um ambiente de intriga, dizemos que é “hitchcockiano”. A história do cinema, apesar de longa, não é prolífica em adjectivos do género. Mas, uma das honrosas excepções vai para David Lynch, realizador capaz de construir um imaginário próprio, um ambiente de fumo e sexo, um ambiente de leviandade e exotismo, como poucos conseguiram - e muito graças a filmes obscuros como MullHoland Drive e Blue Velvet ou a um portento chamado Twin Peaks. 
 

CD RUM: Tiguana Bibles - "In loving memory of..."

O primeiro contacto que tivemos com os Tiguana Bibles, em 2009, através do EP ‘Child of the Moon’, (Optimus Discos) deu-nos a conhecer uma banda com um bom punhado de canções de matriz rock.
Ao olharmos para alguns dos nomes mais familiares do projecto, como Vítor Torpedo (Tédio Boys, Blood Safari, The Parkinsons) ou Kaló (Tédio Boys, Bunnyranch), poderíamos pensar que estaríamos perante mais uma banda-furacão, de energia inesgotável e guitarras rock em ebulição. Nada disso. 
 

s.c.u.m. – again into eyes (mute, 2011)

Nasceram em meados de 2008 e lançaram recentemente o seu álbum de estreia. “Again into eyes” é o cartão de visita dos londrinos S.C.U.M., com selo da insuspeita Mute. Um disco recheado de guitarras psicadélicas e ambientes experimentais que nos remetem para uma série de projectos surgidos nos últimos anos.
 

CD RUM: Joan as police woman – the deep field

Para os habituais ouvintes da Universitária, Joan as Police Woman é já uma velha conhecida.
Desde o seu debute, com o disco ‘Real Life’, corrria o ano de 2006, que a sensibilidade e a delicadeza de Joan Wasser são presenças assíduas nas ondas da RUM.
 

CD RUM: Mount Kimbie: Burial ainda mora aqui?

2010 está a chegar ao fim. Este foi o ano em que os Arcade Fire lançaram novo trabalho, é sabido e foi elogiado por todos; em que os National confirmaram o estatuto de próxima grande banda de estádio, e isto até pode acontecer em breve; e onde os Walkmen decidiram dizer “a nossa cidade favorita é Lisboa” na capa do disco novo. Mas 2010 foi ainda o ano da afirmação das toadas electrónicas portuguesas além fronteira e das toadas electrónicas britânicas nos ouvidos de toda a gente.

 

CD RUM: no age: everything in between

O terceiro álbum dos norte-americanos No Age não se limita a confirmar tudo o que de positivo (e foi muito) ficou de «WeirdoRippers» (2007) e «Nouns» (2008). Isto porque com este novo tomo da sua discografia assinam uma obra que transcende, na forma e no conteúdo, tudo aquilo que nos haviam revelado antes.
Dean Spunt e Randy Randall conseguem em «EverythingInBetween» condensar num caleidoscópio eléctrico a irreverência juvenil, a ansiedade do confronto com a idade adulta, as dores de crescimento e a ruptura com o idealismo de tenra idade.
Trata-se de envelhecer, é certo. Num contexto de twenty-something, bem entendido, mas também aí se deixam para trás muitas coisas que, mesmo que o seu abandono seja essencial, não deixam de provocar interrogações e dúvidas.
Todo este contorno emocional é servido por uma música crispada mas altamente melódica, como se os SexPistols se juntassem aos BeachBoys para um concerto de homenagem aos Liars, no qual a assistência se deixa arrastar em êxtase para uma voragem rítmica e melódica, comparável à emoção de estar em cima de uma prancha de surf na crista de um tsunami a evitar o choque com os arranha-céus de um cenário urbano. Em suma: energia, melodia e ruído!
 
 
Que balanço fazes do último mandato da AAUM?
 
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