No dia 25 de Abril de 1974, um golpe de estado operado por militares portugueses pôs fim ao regime ditatorial que desde 1933 assolava o país. Não houve sangue derramado e os cravos substituíram as balas.Foi na sequência do golpe militar de 28 de Maio de 1926 que se instaurou em Portugal uma ditadura militar. A constituição de 1933 viria a instituir oficialmente um novo regime que seguia uma tendência marcadamente fascista – o Estado Novo.
Depois de Óscar Carmona, eleito em 1928, ter governado o país, seguiu-se-lhe Oliveira Salazar, representante da União Nacional, o único partido português.
Decorria o ano de 1968, quando Salazar abandona o poder por incapacidade decorrente de uma grave queda de uma cadeira no terraço do Forte de Santo António, no Estoril, onde costumava passar as férias, que lhe causou danos irreversíveis. Foi substituído por Marcelo Caetano que dirigiu o país até à revolução, um período que ficou conhecido como a Primavera Marcelista.
Salazar, o símbolo máximo da ditadura em Portugal, veio a falecer em Julho de 1970, com 81 anos.
O Estado Novo possuía uma polícia militar, a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), que perseguia e oprimia os opositores ao regime.
A Revolução
Por essa altura, as colónias africanas constituíam os maiores produtores de matérias-primas para a indústria portuguesa, bem como compradores dos produtos manufacturados. O ideário Salazarista de “império onde o sol não se põe” fazia-se valer. Porém, a guerra colonial e os gastos que daí advieram, bem como a pressão externa que vários países europeus exerciam sobre os políticos portugueses, que ainda assim vivam “orgulhosamente sós” levou a um descontentamento de muitos milhares de militares e portugueses.
Na madrugada de 25 de Abril de 1974, forças militares portuguesas espalhadas por todo o país instalaram secretamente uma revolução, marcada por músicas como “E Depois Do Adeus”, de Paulo de Carvalho, e “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso.
Ao amanhecer, o povo juntava-se nas ruas, apoiando os soldados revoltosos. Foram distribuídos cravos vermelhos, que um soldado colocou no cano da espingarda, seguido de muitos outros. Nasce aqui o símbolo da Revolução dos Cravos. Nasce aqui a Liberdade.
Trinta e seis anos depois, a Revolução dos Cravos continua a dividir a sociedade portuguesa
Essencialmente nos estratos mais velhos da sociedade portuguesa, aqueles que viveram a Revolução na primeira pessoa, bem como nas facções mais extremistas do espectro político português, o 25 de Abril de 1974, continua a dividir opiniões.
É ponto assente e quase generalizado que a revolução trouxe a liberdade a um país oprimido, subdesenvolvido e pobre, sendo sinónimo eterno de vitória, justiça e paz social.
No entanto, muitos são os que, entristecidos por casos de violência e insegurança a que, por vezes, se assiste por todo o país, como que num acto desesperado chegam a recordar saudosamente os tempos do Estado Novo, alegando que “fosse noite ou dia, não havia ladrões nas ruas”.
Também o descontentamento com os políticos de hoje, leva alguns a afiançarem sem entraves ou embaraços que “os bolsos do Salazar estavam vazios e os sapatos rotos”.
No debate político actual, a oposição chega até a questionar as liberdades fundamentais, alegando que nem sempre a liberdade de expressão e comunicação se vê garantida.
Finalmente, muitos são aqueles que consideram que o esforço e luta de tantos sem nome não é suficientemente reconhecido pelos de hoje; que os ideais de Abril se vão perdendo nas voltas e revoltas do tempo; que o espírito revolucionário, que tantas conquistas alcançou, as vê agora desaparecerem lentamente por entre os dedos… como grãos de areia junto a um mar que também já não é o Nosso.
Daniel Vieira da Silva




























































Ultrapassado que está metade do mandato de António Cunha à frente da reitoria da Universidade do Minho, o reitor faz um balanço positivo do que foi feito e abordou temas quentes na actualidade universitária.

