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Investimento histórico na Educação norte-americana

A Câmara dos Representantes Americana aprovou a nova Lei de Apoio aos Estudantes e Responsabilidade Fiscal (Student Aid and Fiscal Responsibility Act) no dia 21 de Março. Integrada no histórico pacote legislativo relativo à reforma do sistema de saúde americano, esta lei representa um conjunto de alterações e investimentos inigualáveis na área da educação.
Entre as várias alterações nos diferentes graus educativos, aquelas que se tornam mais interessantes, pela sua ruptura com o passado, são as relativas ao ensino superior. A mais relevante de todas as medidas previstas na reforma é a passagem de todos os empréstimos bancários, destinados a estudantes universitários, da esfera privada para a pública. Só com esta medida prevê-se que o Estado Americano consiga encaixar 61 mil milhões de dólares (aproximadamente 45,5 mil milhões de Euros), não gastando um único cêntimo do dinheiro dos contribuintes, e permitindo reutilizá-lo em diferentes projectos que visam tornar o ensino superior mais qualificado e acessível à população em geral.
A falta de dinheiro e os elevados empréstimos necessários para obter uma boa educação superior foram identificados como a razão principal para o não ingresso ou abandono do ensino superior. Assim, a Administração Obama pretende aumentar as bolsas provenientes do Estado (Pell Grant) e torná-las mais atraentes – o governo americano quer investir 36 mil milhões de dólares (26,8 mil milhões de Euros), nos próximos 10 anos, de maneira a estas estarem disponíveis ao maior número de estudantes, provenientes de sectores mais necessitados, possíveis.  
Investir 1,5 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de Euros) de maneira a reduzir a percentagem, relativa aos empréstimos estudantis, que estes têm que pagar mensalmente, após terminarem a formação académica e ingressarem no mercado de trabalho, de 15% para 10% do seu rendimento mensal e a redução de 25 para 20 anos de tempo necessário para a dívida ser perdoada aos estudantes cumpridores é outra das medidas. Estima-se que entre 2014 e 2020 existam 30 milhões de novos estudantes detentores deste novo tipo de empréstimos.

EUA quer ser líder mundial no número de licenciados

Outras medidas estão previstas, desde o financiamento de universidades e institutos destinados às minorias raciais, como as Historically Black Colleges and Universities e a diminuição das burocracias para obter ajuda do Estado até à inclusão de todos os estudantes até aos 26 anos nos pacotes de saúde familiar, tudo em prol de tornar os EUA, no ano de 2020, no país com a mais alta taxa de licenciados no mundo, retomando assim a posição de líder global no ensino superior e na investigação. Um desafio enorme que segundo o Centro Nacional de Estatísticas Estudantis (NCES) é vital, para combater a prevista falta de 14 milhões de trabalhadores qualificados que o país necessitará em 2020.  
Ao integrar esta lei no pacote legislativo referente à saúde, Barack Obama demonstrou toda a sua agilidade e habilidade políticas, conseguindo, não só, ultrapassar dois obstáculos difíceis de uma só vez na sua reforma social, como, aproveitando a crise económica histórica que o pais atravessa, causada pelo sector bancário, retirar a estes o lobby dos créditos estudantis, dando uma sensação de justiça social no seio da maioria da população americana.

 
 
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