“Nós não temos nada para celebrar” afirmam cerca de 10 mil estudantes acerca da conferência comemorativa do décimo aniversário do Processo de Bolonha , que contou com a presença de vários ministros da Educação/Ciência em Viena . Uma manifestação ,numerosos bloqueios de estrada e uma conferência alternativa à oficial , que contou com a participação de vários sindicatos de professores , investigadores científicos e diversas Associações Nacionais de estudantes, foram as medidas que os estudantes encontram para expressar o seu descontentamento.A conferência ministerial teve lugar em Budapeste e em Viena entre os dias 11 e 12 de Março e foi concebida basicamente como uma cerimónia comemorativa dos 46 países pertencentes ao Processo de Bolonha e os seus homólogos. Porem, à chegada a Viena, os ministros deparam-se com os diversos bloqueios provocados pelos estudantes.
“Nós queremos que os responsáveis pelo processo de Bolonha compreendam a nossa situação e percebam a degradação das universidades europeias” explicou Georg, membro do grupo “Bologna Burns” que mobilizou estudantes de todas as partes da Europa durante os últimos meses.
Com uma actividade extremamente intensa, os protestos estudantis estenderam-se por toda a Áustria, principalmente contra as propinas e o acesso limitado aos cursos sobrecarregados de estudantes. Desde o fim de 2009, equipas de estudantes austríacos viajam de campus em campus em toda a Europa, de norte a sul, de este a oeste, divulgando a sua causa. Mais de 2000 estudantes internacionais juntaram-se a este movimento e foram até Viena “fazer Bolonha passar à história”.
“Bologna Burns” é uma organização estudantil com características muito especiais: sem líderes ou hierarquia; é um exemplo vivo da acção democrática a nível internacional, que tenta criar um movimento estudantil crítico, com o apoio e aplauso de diversos grupos espalhados por toda a Europa.
Enquanto a organização fala de 10 a 12 mil participantes nas manifestações da passada quinta feira, as autoridades austríacas apontam para um número a rondar os 3200 participantes. Professores, sindicalistas e investigadores científicos estiveram presentes demonstrando o seu apoio aos estudantes.
A rejeição de um diálogo aberto, a limitação das vagas universitárias e a comercialização do ensino superior, assim como as propinas, são os pontos em que as associações estudantis de toda a Europa apontam como sendo os responsáveis por todo o descontentamento. Mas aquilo em que os estudantes europeus centram mais as suas críticas são os diversos cortes que se têm assistido nos últimos tempos no Ensino Superior, defendendo a educação como um bem público e uma obrigação do estado.
Tirando pequenos conflitos com a polícia e com os responsáveis pela segurança da conferência, os protestos foram pacíficos e os bloqueios na sua maioria terminaram sem incidentes.
Na sequência da conferência ministerial, o grupo “Bologna Burns” organizou uma conferência alternativa na Universidade de Viena contando com a participação de sindicalistas assim como personalidades na área da educação de toda a Europa, onde discutiram as reformas de uma forma calma e pacífica. Diversos workshops foram organizados onde diversas matérias foram discutidas.
No entanto, até o comissário Europeu para a educação, Vassiliou, expressou a sua simpatia e compreensão pelos protestos dos estudantes.”Bolonha é feito para os estudantes. Assim devemos ter em consideração os seus protestos e incluir os seus pensamentos acerca da reforma.”, referiu.

Ultrapassado que está metade do mandato de António Cunha à frente da reitoria da Universidade do Minho, o reitor faz um balanço positivo do que foi feito e abordou temas quentes na actualidade universitária.

