
Para um enorme auditório a metade da lotação, passaram por temas do disco de estreia “Farewell” e encantaram com o novo “Only Time Will Tell”...
... Mais de uma hora de saudável partilha entre a banda de Coimbra e o diversificado público da Feira do Livro que soube acolher o estilo blues, country e folk que voou do Mississipi e aterrou por terras lusas.
Para nós, Afonso Rodrigues despiu a pele de Sean Riley e respondeu a algumas questões... o baixista Bruno Simões deu também uma ajuda:
Sei que estiveram sempre a tocar e a criar novos temas entre os dois trabalhos. Foi dificil a escolha das faixas a incluír no novo “Only Time Will Tell”?
Não, não foi difícil. Tivemos bastante tempo na altura em que o Filipe Rocha (baterista) entrou para a banda e fomos ensaiando e experimentando canções, como fazemos sempre (... ) Optamos pelas canções que funcionam, em vez de estarmos à procura de coisas muito complicadas. Se uma coisa não parece bem logo no início, fica meio de parte. Depois, gravamos na altura as 15 músicas para o álbum, acabando por incluír 12 e, agora, na edição em vinil, incluímos mais 2. Foi selecção natural.
Na altura de o compararem com o primeiro trabalho, houve alguma espécie de receio? De “responsabilidade de segundo álbum”?
Confesso que a principal pressão para mim foi precisamente nessa fase de “tenho de começar a seleccionar músicas”,” o que é que vamos fazer”... Aí sim, senti alguma pressão, mas assim que começamos a tocar todos juntos ela desapareceu muito rapidamente e nós sabíamos o que queríamos fazer. As coisas estavam a funcionar na direcção que nós queríamos que funcionassem. Nunca tivemos qualquer tipo de receio em relação à forma como o álbum poderia ser recebido. Só tinhamos o receio de ser ou não capazes de fazer o álbum que queríamos fazer... e isso nós conseguimos.
Gravaram nos Estúdios Valentim de Carvalho com o Nélson, uma experiência à qual nem toda a gente tem acesso...
Sim, a Valentim de Carvalho tem um estúdio que tem alguma história dentro da música em Portugal e o Nelson é uma pessoa que nos últimos tempos tem feito muitos bons trabalhos e tem conseguido afirmar créditos no panorama nacional de uma forma muito sólida. Como já tinhamos trabalhado com ele no primeiro álbum - quando gravamos o “Farewell” gravamos o álbum todo e depois acabamos por ir para os Estúdios da Valentim gravar o “Lights Out e o “Moving On”- já tinhamos percebido como é que era a maneira dele trabalhar e foi só retirar prazer dessa experiência e tentar que esse prazer que nós estavamos a retirar fosse espelhado no álbum... o que foi óptimo... e acho que quer nós quer o Nelson gostamos imenso.
Mas chegaram a pensar gravar o trabalho nos EUA, com Kim Fowley?
Sim, isso veio de um contacto que o Bruno Simões (baixista) teve com ele e, na altura, acabados de gravar o primeiro álbum, termos uma pessoa como o Kim Fowley, que nós admiramos imenso, quer como músico, quer como produtor, a mostrar-se receptivo para trabalhar connosco... para nós o primeiro impacto foi enorme e ficamos deslumbrados e extremamente interessados nisso. Depois, à medida que fomos falando com ele e percebendo o que ele queria fazer do álbum e o que nós queriamos fazer do álbum, percebemos que ele queria fazer algo “folk do século XXI para uma audiência inter galáctica”...
Depois começaram-se a meter uma data de problemas. Nós queríamos gravar com coro, cordas... e transportar toda essa experiência para os EUA também se começou a revelar um bocado incomportável financeiramente porque não tinhamos orçamento que nos permitisse fazer isso. Não podiamos levar o equipamento que queriamos para lá e depois ainda havia o factor tempo. Íamos ter um limite de dias onde teríamos de fazer as coisas com uma pessoa que não conhecíamos e onde não sabiamos se as coisas íam funcionar ou não... Não tinhamos grande hipótese de arriscar e não que aquilo que ele nos estava a transmitir fosse exactamente ao encontro daquilo que queriamos fazer, por isso optámos por trabalhar com o Nelson, já que sabíamos que ele nos ía entender mais facilmente.
as continuam-se a sentir inspirados pelo trabalho dele?
É uma pessoa que admiramos imenso e vamos admirar sempre. Tem um historial enorme. Prémios Grammy e outros. Foi um dos maiores produtores dos anos 60/70 e deu um cunho importantíssimo na história da música.
Não optamos por não trabalhar com ele por nenhuma razão que tenha a ver com falta de gosto. Foi porque na altura a coisa não era praticável e porque achamos que ele se calhar estava interessado em fazer um álbum muito próximo do primeiro, melhorando aquilo que ele achava que poderia ser melhorado... mas nós queríamo-nos afastar bastante do “Farewell”.
Vamos tentar desmistificar a “cena de Coimbra”... Vocês vêem realmente algum elo de ligação entre as bandas de Coimbra? “Belle Chase hotel”, “Tédio Boys”... Partilham referências?
As referências existem sempre porque todos nós amamos a música. Agora se há uma “cena de Coimbra”? Existem pessoas em Coimbra e existem pessoas que fazem música há muito tempo, mas cada um tem o seu universo e a sua capacidade de ir fazendo coisas ao longo do tempo. Eu acho que nao é a capital do Rock nem a capital de nada... É um dos chavões que há...
O Bruno é de Coimbra, o Filipe é de Coimbra... eu como alguém que chegou à cidade e viu o que se lá passava e acabou por sair de lá... o que eu acho é que sim, há uma “cena”. Houve um conjunto de 3 ou 4 bandas que foram muito importantes naquilo que toda a gente fora da cidade vê como a “cena de Coimbra”, só que essa “cena” é reduzida a um conjunto muito pequeno de pessoas que fizeram acontecer algumas coisas pelas bandas que criaram. Quando se fala nisto não se fala muito nos “Belle Chase Hotel” ou nos”É M’AS Foice”, mas sim dos “Tédio Boys” para a frente e das bandas que saíram deles. Em relação ao que nós podemos ter a ver com isso ou não... O que eu acho é que partilhamos uma data de coisas com eles, nomeadamente ...
… A digressão com os “Wraygunn”?
Sim, por exemplo, mas mesmo esteticamente, partilhamos uma data de gostos com eles, a nível musical e nos interesses que temos na música. Só que a forma como acabamos por apresentar a nossa música acaba por ser bastante diferente com a maioria dessas bandas sintetiza essas influências que tem, que em grande parte são as mesmas que nós, mas acaba por haver depois uma diferença no resultado final.
Vocês vão andar lá por fora a tocar?
Sim, a primeira fase dessa internacionalização vai acontecer já em Junho. Vamos ter o nosso disco à venda na Holanda e vamos provavelmente fazer lá datas. Ainda não sabemos quando nem quantas, mas seguramente em Junho vamos estar na Holanda. A seguir a sair na Holanda, o disco vai sair na Bélgica, no Luxemburgo, em Inglaterra e na Alemanha. Até ao fim do ano vamos fazer datas em todos esses países. Em Espanha também sairá possivelmente... Até ao fim do ano vamos com certeza tocar numa data de países na Europa, sim.
Afonso, já que estamos na Feira do Livro de Braga... o livro da tua vida, tens um?
Hum... Provavelmente “On The Road” de (Jack) Kerouac.
Vânia Gonçalves
































































































































































































































Ultrapassado que está metade do mandato de António Cunha à frente da reitoria da Universidade do Minho, o reitor faz um balanço positivo do que foi feito e abordou temas quentes na actualidade universitária.

