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Mariano Gago

Presente nos Encontros UM, Mariano Gago, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior teceu elogios ao programa de trabalho da nova equipa reitoral da Universidade do Minho. O ministro fez questão de querer conhecer o programa de acção da equipa reitoral e sublinhou que o mesmo tem muito a dar à UM e ao conjunto de universidades portuguesas.
Em entrevista concedida à comunicação social antes da cerimónia oficial dos Encontros UM, Mariano Gago revelou alguns pilares que orientam o programa do Governo no que concerne ao Ensino Superior (ES).

Mariano Gago: O governo assumiu o compromisso de dar prioridade ao desenvolvimento do ES e da sua qualificação, com mais estudantes, com alargamento da acção social, reforço da internacionalização e da qualidade das formações e reforço da ligação entre a capacidade científica das universidades e dos centros de investigação.
Essa prioridade tem a forma de um diálogo que se concretizará através do Contrato de Confiança entre o país e as suas instituições de ES. O Contrato de Confiança tem alguns objectivos específicos: reforçar o número de estudantes no ES e a sua base social; ter mais estudantes no ES provenientes de famílias com poucos recursos; reforçar qualificações; reforçar investigação e apostar na formação avançada.
O desafio é enorme. É um desafio de baixas qualificações que desde sempre que foram superadas de forma extraordinária nas últimas décadas, mas que precisam, ainda assim, de um enorme combate (hoje temos, em Portugal cerca de 1/3 dos jovens até 20 anos a frequentar o ES, temos níveis de sucesso escolar comparáveis aos países desenvolvidos, contudo apenas 10 % da população portuguesa tem um grau de ES).
Temos de apostar na formação dos activos, na formação de muitos que se viram afastados da formação e que o país precisa que estudem.
Temos o desafio de alargar a base do ES em Portugal para uma generalidade da população e não apenas aos jovens que acabam o secundário.
Também de requalificação profissional, há muito a fazer. Contata-se que o mercado profissional mudou e a universidade é hoje o sitio onde se encontra a capacidade pode fazer requalificações profissionais.
O processo de Bolonha possibilitou que muitas pessoas pudessem voltar à universidade e poderem adquirir formações complementares para serem melhores nas suas profissões, serem melhores culturalmente e ajudarem os seus filhos na sua formação.

O sub-financiamento da UM foi muitas vezes apontado pelo ex-reitor da UM.
Como vai ser discutido o financiamento agora com este Contrato de Confiança?
Todos sabemos que quando o Governo anuncia no seu programa que vai dar prioridade ao desenvolvimento do ES, sabemos o que quer que significa que tem de haver responsabilidades partilhadas. O governo, em matéria orçamental, tem responsabilidades perante a AR e os cidadãos de gerir as prioridades com os recursos que os cidadãos lhe põem a disposição.
No que diz respeito à responsabilidade das universidades estas têm a responsabilidade de melhorar a qualidade, reforçar a empregabilidade dos alunos, de acolher mais alunos, acolher alunos de meios sociais que antes não tinham acesso ao ES.
Temos perfeita consciência que agora, terminada que está a reforma legislativa do ES, as universidades estão em condições de assumir essa responsabilidade.

A ideia é conseguir dotar as universi
Isso obrigará a um esforço orçamental acrescido. Para o ES, para a investigação, para este projecto tem que haver dinheiro independentemente de tudo o resto?
Como é claro, mas não é só haver dinheiro, é haver trabalho, é haver responsabilidade é haver resultados, porque o país não compreenderia que se atribuisse prioridade e se dessem recursos a sectores que não cumprissem, que não respondessem às necessidades nacionais e aos objectivos, que não se comprometessem a cumprir objectivos de natureza nacional e a serem avaliados por isso.

Destacou o alargamento da base social, o número de alunos, parece mais um enfoque quantitativo. Em termos qualitativos a UM diz querer afirmar-se como uma Universidade de investigação, o que pode ser feito nessa área?
A UM é uma universidade de investigação, já hoje. Quando nós vemos o número de doutorados que tem a UM comparado com o número de estudantes e com o total de pessoal docente, quando nós vemos o número de artigos científicos publicados pela UM, quando vemos as patentes registadas pela UM, quando vemos as empresas de spin-off criadas pela UM, quando vemos os laboratórios de investigação hoje darem lugar a processos não apenas de investigação pura mas também de investigação aplicada e de interesse industrial e, portanto, gerarem emprego na região, vemos que a UM é realmente, já hoje uma Universidade de investigação. É a partir desta base que foi criada que é possível aspirara a mais, e aspirar que a UM venha a ter, no futuro, junto com outras universidades naturalmente, e com outras instituições, venha a ter um papel ainda maior na requalificação da região e do país. A UM pertence à região mas também pertence ao país. Não e apenas uma Universidade regional, a sua responsabilidade não se esgota no distrito de Braga e na linha que vai de Braga a Guimarães. A UM é hoje um elemento fundamental na internacionalização de Portugal. Há parcerias internacionais e alianças internacionais que passam pela UM e queremos que continue a ser assim e só assim é que a UM pode cumprir o seu papel.

O Governo está disposto a investir quanto mais na vertente da investigação nas Universidades?
A maioria do investimento em investigação público, de fundos públicos, destina-se às Universidades, mas talvez o dado mais impressionante nos últimos anos é a qualificação do corpo docente das Universidades portuguesas e dos institutos politécnicos, que aumentaram de qualificação, o numero de doutorados, por exemplo, no ES português aumentou imenso, tudo isso representa um esforço público para a formação. Quando hoje temos cerca de 1500 novos doutoramentos, cada ano em Portugal, isso significa um esforço gigantesco de qualificação ao mais alto nível através da investigação de pessoas que se destinam às empresas, às Universidades, aos laboratórios de investigação, à administração e que qualificam esses sectores.

Vai haver alguma ligação entre a Universidade e o INL?
Vai haver acordos específicos e vai haver, com certeza, um protocolo específico de colaboração entre o INL e a UM. Já agora, é publico, que o INT já há alguns meses dirigiu uma proposta ao conselho de reitores das Universidades espanholas e conselho de reitores das Universidades portuguesas propondo um acordo quadro de colaboração com todas as universidades portuguesas e espanholas com o quadro do INL sem prejuízo do acordos específicos com outras universidades. Aquilo que estamos a falar não é de uma acordo quadro que será feito com todas as universidades portuguesas e espanholas, é o que especificamente deve acrescentar a esse acordo de quadro que vai ser estabelecido com a UM pela sua proximidade e muito provavelmente também com a Universidade de Santiago de Compostela pela sua proximidade.

Daniel Vieira da Silva
 
 
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