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Entrevista ACADÉMICO: “Encontrei a AAUM a um nível muito elevado e creio que estas últimas duas direcções conseguiram elevá-lo ainda mais”

Após dois anos como presidente e depois de cinco ligado à direcção da AAUM, Luís Rodrigues está de saída.
O ainda presidente da AAUM, faz um balanço exaustivo daquilo que foi a sua passagem pela instituição. Sem certezas quanto ao futuro, o estudante natural de Penafiel orgulha-se do seu ciclo na AAUM e mostra-se confiante pelo futuro da instituição.
Tudo isto para ler numa entrevista exclusiva ao ACADÉMICO.

Qual o balanço que fazes destes dois anos de mandato enquanto presidente da AAUM?
Penso que, por tudo o que foi construído ao longo destes dois anos, é justo dizer-se que o balanço é francamente positivo. Foi um trabalho conseguido na linha daquele que foi desenvolvido pelas Direcções que me precederam mas foram mandatos em que demos respostas às necessidades dos estudantes, promovendo novas acções, novas iniciativas, novos serviços, disponibilizando um conjunto de ferramentas que auxiliaram os estudantes das mais variadas áreas, ao nível da formação e das saídas profissionais. Assumimos claramente, neste particular, uma intervenção forte no que diz respeito à inserção dos estudantes no mercado de trabalho.
Para além disso, houve uma aposta grande na afirmação da AAUM a nível nacional, especialmente em termos de intervenção política. Nos momentos decisivos para o Ensino Superior desempenhámos um papel chave tanto na mobilização dos estudantes como de outras associações. Não posso deixar de referir contudo que este desempenho se deve também às acções cumulativas das anteriores direcções e dos respectivos presidentes.

O que é que, nestes últimos dois anos, ficou por fazer?
Há sempre algo que fica por fazer. Há sempre algo que, devido a determinados contextos, não foi possível realizar. Mas haverá sempre algo mais para fazer. Por isso a importância da renovação das pessoas e das ideias, que não dos ideais. 
No entanto, não posso deixar de mencionar, com muita pena minha e da minha Direcção, a questão da nova sede da AAUM que continua por concretizar. Contudo, acredito que hoje, passados dois anos, foram dados passos importantes e que tudo estará certamente mais próximo, pelo menos atendendo aos compromissos assumidos pela actual reitoria. Porém, esta indefinição relativamente à nova sede deixa, evidentemente, uma mágoa muito grande, uma vez que este foi um dos projectos claramente assumidos como prioritário. Mas quero crer que tudo estará bem mais próximo.

O que falta para se materializar o dossier da nova sede?
Como disse anteriormente, foram dados alguns passos que, estou certo, serão determinantes nomeadamente sobre a definição do espaço da nova sede. Ainda que neste momento estejamos numa conjuntura difícil para o investimento, a AAUM tem, ainda assim, uma quantia assinalável de verbas que foram amealhadas nos últimos anos - cerca de 800 mil euros – para este projecto e que representam um enorme contributo e compromisso de todas as anteriores direcções.

Mas já há uma localização específica para a mesma?
A nova sede estará muito próxima da entrada Sul do campus de Gualtar. Se dentro do campus ou no espaço limítrofe... Essa é, actualmente, a única questão.

Algumas vozes na Universidade e na própria cidade de Braga consideram que a nova sede deveria migrar para o centro da cidade. O que pensas sobre esta hipótese?
Eu não partilho dessa visão. É uma convicção pessoal que a nova sede deve servir essencialmente os estudantes. A AAUM tem, naturalmente, dentro da sua missão uma componente de interacção com a sociedade, pelo que a nova sede da AAUM deve fornecer um conjunto de ferramentas e de serviços directos para os estudantes, deve fornecer um conjunto de valências para os grupos culturais, para os núcleos, para a Rádio Universitária do Minho, para a Associação de Antigos Estudantes, para toda a comunidade académica de uma forma geral. A minha opinião é muito clara e firme a este respeito: não se proporcionam ferramentas, serviços e competências de valor acrescentado aos estudantes levando a nova sede para longe dos estudantes e para fora do campus.
Partilho da necessidade de afirmar, cada vez mais, a Universidade e a comunidade académica, nos centros das cidades de Braga e Guimarães. Acredito nas mais-valias que isso possa representar, mas também acredito que o caminho não deveria ser por aí, mas sim pelo que deve ser feito a nível político, proporcionando condições para fixar os jovens no centro da cidade, adoptando uma política de urbanização, de reabilitação de alguns edifícios no centro da cidade e dando incentivos ao arrendamento jovem. Acredito que esta integração faz-se, também, por uma mudança de mentalidades capaz de alavancar uma interacção mais efectiva, não vendo por isso que a nova sede seja uma condição fundamental para que isso aconteça.

Foram muitas as decisões tomadas nestes anos. Arrependes-te de alguma ou voltarias atrás para mudar alguma decisão?
Não me arrependo das linhas que foram sendo seguidas, no trabalho que foi sendo desenvolvido, partilhando de uma grande satisfação pelos resultados alcançados, resultados esses fundamentalmente avaliados pelo grau de satisfação dos estudantes.

Mas sabendo o que sabes hoje, mudavas o rumo de alguma das decisões tomadas?
Não, mas talvez tivesse colocado uma tónica ainda maior no projecto da nova sede especialmente na fase inicial. Tenho porém a percepção de que foram empreendidos todos os diálogos e desenvolvidos todos os esforços possíveis no sentido de a concretizar.

Que diferenças encontras entre a AAUM na qual entraste em 2007 e a AAUM que agora te preparas para deixar?
Gostaria de acreditar que, sem qualquer arrogância, os estudantes têm hoje uma AAUM melhor, tal como a tiveram no passado, ano após ano. Esta é a grande característica das últimas direcções. Desde o Vasco Leão, ao longo dos últimos 11 anos as direcções da AAUM conseguiram renovar as suas áreas de intervenção, conseguiram adaptar-se a novas realidades do ensino superior, conseguiram dar resposta a um crescimento muito significativo da Universidade do Minho, quer em dimensão quer em número de estudantes.
A AAUM está hoje melhor do que estava nos últimos anos – sendo que cada direcção tenta sempre fazer mais e melhor, por muito bom que seja o legado.
Creio que estas últimas duas direcções souberam identificar áreas em que poderiam alargar a sua intervenção, áreas em que poderiam melhorar e acrescentar valor. Tenho, naturalmente, que dizer que reconheço, com muito orgulho (uma vez que fiz parte das três direcções do Pedro Soares, e, enquanto colaborador, da última direcção do Roque Teixeira) que encontrei uma AAUM a um nível muito elevado e creio que estas últimas duas direcções conseguiram elevá-la ainda mais.

Falaste aqui em algumas decisões que são tomadas em consciência e ponderação. Algumas dessas apoiadas em alguns “braços-direitos”. Gostarias de destacar a presença de alguém que marcou a tua vida associativa durante estes dois últimos anos?
A primeira palavra tem que ser, naturalmente, para a minha família, em particular para os meus pais, que me deram todas as condições para representar os estudantes da Universidade do Minho. 
Certamente que há outras pessoas que, de uma forma mais directa, representaram um apoio constante, também pela partilha de valores, de convicções, conectadas a todas as questões da academia ligadas à AAUM.
Não posso deixar de destacar uma pessoa que foi uma referência e que, desde 2010, me tem auxiliado em dar resposta aos problemas dos estudantes, enquanto Provedor. Deste modo, a forma muito próxima como vive a academia, o Professor António Paisana foi uma pessoa que constituiu um apoio nas alturas mais importantes.
De uma forma muito natural, toda a ligação que fui desenvolvendo com os anteriores Presidentes, não posso deixar de destacar o Pedro Soares, enquanto meu antecessor, que, como é evidente, numa fase inicial do meu primeiro mandato, foi um apoio importante e um conselheiro; o Vasco Leão, pela referência natural que é o seu passado na AAUM numa altura particularmente difícil para a Instituição, pela forma como conseguiu elevar o nome da AAUM, pela sua própria visão e pelo que partilho dos seus valores e ideais a nível associativo.
Em consequência, poderia aqui certamente falar de muitas outras pessoas, tendo sido muitas delas importantes ao longo deste percurso.
Deixo também, como é evidente, uma nota para todos os elementos que fizeram parte destas duas direcções em particular, para todos os colaboradores que se envolveram nas mais variadas actividades, através de todos os departamentos da AAUM. Estas duas direcções deram provas de confiança e qualidade e o trabalho e os resultados que se alcançaram não foram só o reflexo do empenho e compromisso de um Presidente, mas de cada um dos elementos e de toda uma equipa que se construiu, que evoluiu ao longo do ano, de uma forma voluntária, partilhando valores de solidariedade e de entreajuda, de companheirismo, e do bem-colectivo.

Consegues destacar dois ou três momentos que marquem esta tua passagem enquanto presidente da AAUM... 
... Num conjunto tão vasto de actividades que foram desenvolvidas, é difícil identificar algum momento mais marcante neste trajecto.
Ainda assim, o sentimento com que se fica no momento da realização ou concretização de uma determinada acção/actividade é inexplicável. Qualquer pessoa não pode ficar indiferente à concretização de um projecto ou actividade, quando partilha todo um sentimento de pertença com um grupo de pessoas, com um grupo de colegas. Quando senti, desde muito cedo que, em qualquer um destes mandatos, conseguimos transformar esse conjunto de valor individual dos dirigentes em elementos de uma equipa unida, isso marcou o mandato.
Para além disso, há aqui um agregado de momentos importantes. 
A abertura do Gabinete do Liftoff, no ano de 2010, foi sem dúvida alguma um desses momentos. Não posso deixar de referir um outro que, pela sua capacidade de mobilização - dos estudantes e da comunidade envolvente – é necessariamente um momento marcante para qualquer Direcção – o Enterro da Gata. Os resultados a este nível foram igualmente relevantes na medida em que a estratégia traçada se traduziu, em termos financeiros, de uma forma muito positiva, o que representou um grande contributo para a realização de outro tipo de actividades. A AAUM conseguiu adicionalmente atrair parceiros nacionais de relevo e deste modo alargar a sua missão e área de intervenção fundamentalmente através de um equilíbrio financeiro que é hoje indisputável.
Poderia ainda identificar outros momentos importantes, como a conquista do terceiro lugar do ranking internacional da EUSA no desporto universitário, um marco de enorme relevância para o desporto na UM.

Quanto ao futuro da AAUM, o que perspectivas nos próximos anos, embora isto dependa dos resultados eleitorais de 6 de Dezembro?
Prevejo uma continuidade neste percurso de afirmação da AAUM a nível nacional e até internacional. Perspectivo um ano extremamente importante para a AAUM, assim como para a Universidade do Minho, onde a AAUM tem, naturalmente, de ser um parceiro-chave na organização de eventos integrados na Capital Europeia da Juventude (CEJ) e na Capital Europeia da Cultura. Ao nível da CEJ já foi entregue um projecto que reúne um conjunto de actividades a ser implementado nas mais diversas áreas nomeadamente na das saídas profissionais, na do empreendorismo, do desporto, da cultura, da participação juvenil, etc. Portanto, perspectivo, sem dúvida, um ano marcante para a AAUM em 2012.
Tenho a certeza que um projecto de continuidade saberá materializar tudo o que tem sido desenvolvido e projectado nestes anos. Seguramente encontrará novas áreas de intervenção e projectos que adicionem valor acrescentado aos estudantes.

E porque não com o Luís Rodrigues com uma terceira candidatura? O que é que te levou a tomar esta decisão?
Há um momento para tudo nas nossas vidas e, mais ainda, no nosso percurso académico.
Para além das pessoas ficam as instituições, e uma instituição como a AAUM não depende das pessoas, depende dos valores, ideais e convicções preconizadas pelas mesmas, ainda que não dependa delas.
Pelo que qualquer momento na AAUM, qualquer momento de renovação das direcções da AAUM, tem que ser encarado com naturalidade. Da minha parte, e defendendo a ideia do desprendimento que deve existir no associativismo, entendi que este era o momento mais indicado para sair. Adicionalmente, acredito que há um conjunto de pessoas, nas quais destaco o Hélder Castro, que possui todas as capacidades para dar continuidade a este trabalho, para trazer novos desafios, para trazer novos projectos.
A nível pessoal, com 25 anos de idade e com 5 anos na direcção da AAUM, entendi que era o momento de encerrar um ciclo. Devo a oportunidade que me foi concedida pelos meus pais para poder vivenciar todas estas experiências. Foi com orgulho que representei os estudantes da Universidade do Minho, mas há um tempo para tudo, havendo também um tempo para sair, para encerrar um ciclo.

Sentes que é o Luís que deixa a AAUM ou é a AAUM que deixa o Luís?
A AAUM nunca me deixará, porque fica em mim um conjunto de memórias que serão impossíveis de apagar e um conjunto de valores e de aprendizagens que contribuíram para a minha formação pessoal e extra-curricular. Isso devo à AAUM e a todas as pessoas com quem tive oportunidade de trabalhar e partilhar todos estes momentos.
O Luís Rodrigues, enquanto Presidente, sai da AAUM, mas continuará sempre disponível para contribuir para tudo o que entendam necessário. Estará sempre disponível para dar qualquer apoio à AAUM.
Agora, é um momento marcante para mim - ainda bem que assim o é. Fica aqui um conjunto de sentimentos e a saudade é um deles. Se assim não fosse, isso seria um sinal de que não teríamos mudado nada na instituição e que esta não teria mudado nada em nós.
Foi um percurso associativo de cinco anos, do qual me despeço com muito orgulho. Levarei comigo um sentimento de pertença que ficará para o resto da minha vida. Mas, como disse anteriormente, esta renovação é perfeitamente natural. É um ciclo da minha vida que se encerra, sendo certamente um ciclo da AAUM que se encerrará.
A nível pessoal pretendo naturalmente finalizar o mestrado em Informação e Jornalismo, faltando para isso terminar a respectiva tese.

Estou perante um futuro jornalista?
Sim! (risos) É a minha área de formação e sempre foi a minha prioridade enquanto projecto de vida profissional.

Mas ainda antes de irmos ao futuro, voltemos ao passado: após cinco anos, o que é que mudou no Luís Rodrigues com a passagem pela AAUM?
Há um conjunto de valores cívicos que eu, naturalmente, desenvolvi. É impossível que a AAUM não cause mudanças nas pessoas. Originou certamente em mim, contribuindo de uma forma ímpar para a minha formação pessoal e extra-curricular, tendo-me dado competências extra que nenhum curso me poderia ter dado. A nível pessoal, é importante salientar o valor que aprendemos a dar a um conjunto de questões cívicas, e sobretudo de âmbito social, que nos obrigaram a alargar os nossos horizontes, a tomar contacto com um conjunto de realidades diferentes, e a despertar para um conjunto de valores do bem comum, da cidadania.
Em suma, mudou a maneira como encaramos todas as realidades e todas as conjunturas genéricas do país, assim como a forma como passamos a interpretá-las 

Onde é que achas que te poderemos ver nos próximos anos?
Ora bem, no próximo ano numa biblioteca a fazer trabalho de pesquisa para uma tese de mestrado (risos), o que espero que não seja durante muito tempo.
No futuro... Não sei. Sempre foi com alguma imprevisibilidade que as coisas foram acontecendo, pelo que espero, onde quer que seja, que isso aconteça com naturalidade, mas que qualquer que seja o projecto o mesmo constitua um desafio.

Mas existe alguma área de intervenção em que te sintas bem para trabalhar nos próximos tempos?
Penso que qualquer área que represente mudança nas pessoas é importante e gratificante, pelo que quando conseguimos trabalhar em prol do bem comum, isso é certamente muito gratificante, muito satisfatório...

... A política trabalha em prol do bem comum. É uma hipótese?
Nunca desempenhei algo nesse campo, embora haja uma intervenção política associada ao cargo de Presidente de uma Associação Académica.
No entanto, nunca olhei para o meu futuro com essa perspectiva e continuo a não olhar. Há um conjunto de outras áreas e de outros desafios que podem constituir um trabalho gratificante em prol do bem comum. O jornalismo é, certamente, uma área em que se pode trabalhar no sentido de mudar as pessoas e pode, perfeitamente, ser a área em que venha a trabalhar.
Nunca olhei com qualquer perspectiva de futuro para o trabalho que estava a desempenhar. Acima de tudo, qualquer projecto que seja desafiante, em que consiga ter uma capacidade de intervenção e mudança em prol de valores que fui apreendendo e desenvolvendo ao longo destes anos, me traria um nível de realização pessoal extra, mas, se assim não o for, cá estaremos para trabalhar na mesma.

Como gostarias de ser recordado enquanto Presidente da AAUM?
Penso que - e isto deve ser um sentimento partilhado por qualquer dirigente associativo - quem tem que ser recordado não são as pessoas. Quando se participa de uma forma voluntária no associativismo estudantil, a última coisa que deve ser recordada são as pessoas.  Antes de tudo, os projectos. Eu gostaria, que os estudantes que participaram, directa ou indirectamente, nas actividades promovidas pela AAUM ao longo destes dois anos, se identificassem com elas e as recordassem com a importância que elas tiveram na complementaridade da sua formação. Se o recordarem dessa forma essa é a maior satisfação que posso ter. Mais do que gostar que fosse recordada a obra que foi feita, os projectos desenvolvidos e o legado que ficou, gostava que os estudantes recordassem os momentos que tiveram oportunidade de experienciar a todos os níveis.

Mas a tendência das pessoas é associar momentos a pessoas. Como é que achas então que os estudantes se vão recordar de ti?
Em última análise - e quase sendo intimado a responder a esta pergunta (risos) - gostava que os estudantes se recordassem destes dois mandatos, como dois mandatos em que a AAUM, independentemente dos dossiers, das questões terem sido mais ou menos fracturantes, sempre tomou as decisões que lhe pareceram mais acertadas para os estudantes, para a Universidade do Minho e para a AAUM.
Sempre procurei que todas as decisões fossem tomadas com base neste princípio e com a crença naquilo que seria o mais acertado e melhor para a Academia. Por isto e por tudo mais, nunca me cansei de o dizer - e de o sentir também - que fazemos todos parte da melhor academia do país.

Que mensagem gostavas de deixar aos estudantes, não só aos que te elegeram enquanto presidente?
Quero deixar, naturalmente, uma mensagem de confiança. Os estudantes vivem realmente a melhor fase das suas vidas na universidade. Devem vivenciá-la e aproveitá-la da melhor forma. Devem ter sempre a vontade de aprender mais, mas é importante que nunca se esqueçam de dar continuidade à sua formação académica, à sua formação extra-curricular, participando nas mais variadas formas de associativismo, nos núcleos, nos grupos culturais, nas associações.
Acredito que há tempo para tudo no percurso académico. Há tempo para convivermos, há tempo para experienciarmos com os nossos colegas e amigos um conjunto de vivências e sentimentos que marcam o nosso percurso académico, que nos marcam enquanto pessoas, mas nunca esquecendo o fim que nos trouxe ao ensino superior, que é a nossa formação. Espero que os estudantes procurem adquirir competências diferenciadoras ao longo do seu percurso académico, pois só elas lhes darão valor acrescentado aquando da sua entrada no mercado de trabalho.
É importante que os jovens sejam empreendedores numa perspectiva de pró actividade, de iniciativa, de capacidade de participação, de partilhar valores de cidadania e participação na vida activa.
No entanto, queria também deixar uma mensagem de desconfiança: nem tudo o que nos é vendido tem necessariamente de ser aceite. A este nível, tanto as universidades como os estudantes muito se podem queixar. Um governo que queira incentivar a recuperação económica de um país não pode castrar essa recuperação através de um desinvestimento no Ensino Superior, na formação das pessoas mais jovens, daquelas que, se por um lado são as camadas mais formadas e informadas que alguma vez tivemos, por outro são aquelas que representam o menor investimento por parte do estado.
Portanto, uma mensagem também de desconfiança e de inconformismo. Que os estudantes não se demitam de lutar pelos seus direitos e ideais. Que os estudantes continuem a lutar por condições que nos possam dar e conferir um país melhor, com condições iguais, à partida, para todas as camadas da população, não excluindo ninguém e trabalhando todos para uma sociedade inclusiva, que é aquilo que temo que se pode vir a perder num futuro muito próximo.

Quando saíres pela última vez pela porta da AAUM enquanto presidente, sais de consciência tranquila e com a sensação de dever cumprido?
Sairei com um sentimento de dever cumprido. Experimentarei, logo nesse primeiro passo, um sentimento forte de saudade, mas de muita realização e com a consciência de dever cumprido.
Queria deixar um agradecimento a todos os que contribuíram para a concretização destes projectos. Devo aqui agradecer, em primeiro lugar, e como não poderia deixar de ser, a todos os estudantes que fizeram parte desses projectos, que nos fizeram acreditar na importância dos mesmos e que neles participaram. Agradecer também a todos os funcionários da AAUM, que de uma forma inexcedível, partilharam sempre de valores e de ideais e dos projectos elencados como prioritários por estas duas direcções. A eles também se deve muito deste sucesso.
Portanto, eu penso que acima de tudo os sentimentos serão sem dúvida de dever cumprido, de saudade, mas fundamentalmente de agradecimento por tudo o que também a AAUM me proporcionou e me transformou e que me acompanhará para o resto da minha vida.


Daniel Vieira da Silva
 
 
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