
Rui Bragança, atelta de taekwondo da Universidade do Minho foi o entrevistado desta semana do ACADÉMICO. O jovem estudante de Medicina fala da forma como concilia estudos com o desporto, das suas origens no taekwondo e como a modalidade o ajudou a conquistar o que hoje conquistou.
Uma entrevista a uma jovem promessa do desporto nacional que irá ter, ao que tudo indica, uma presença nos Jogos Olímpicos.
Recentemente decorreu a 16ª Gala de Desporto, para a qual te encontravas nomeado na categoria de Jovem Promessa, porém não arrecadaste o prémio.Sentiste que o resultado foi injusto?
Não. Só o facto de ter sido nomeado jovem promessa foi algo muito bom. O passar para os cinco finalistas foi uma notícia espectacular. Ganhar o prémio ou não, acho que pouco interessa. Já foi muito bom ter esse reconhecimento todo.
Este ano, para além do título de vice-campeão mundial, é quase dada como certa a tua passagem para a Rússia, onde irá decorrer o Torneio pré-Olímpico. Pensas que a ida aos Jogos Olímpicos é uma meta alcançável?
Se tivermos em conta tudo o que fiz este ano, é claro que é uma meta completamente alcançável.
Mas os Jogos Olímpicos têm outra grandeza. Se isso acontecer, será o realizar de um sonho. Para mim, ter ido ao mundial e chegar onde cheguei foi algo incrível, então ir aos Jogos Olímpicos seria mesmo inacreditável.
Apesar do teu vasto currículo, que objectivos ainda tens por conquistar?
Há tanta coisa ainda por conquistar, mas, principalmente, aquilo que eu quero é ser o melhor em tudo, estar no combate e ter o à vontade para fazer o que quiser.
Posso ter conseguido já algumas coisas, mas também não são assim tão boas se nos pusermos a comparar com o campeão do mundo, Joel Gonzales. Ele passou dois anos sem perder qualquer combate, o que é algo de extraordinário.
Nunca fui campeão do mundo, nunca fui a um campeonato da Europa de seniores, por exemplo, nunca fui aos Jogos Olímpicos, ainda há muita coisa para alcançar e para melhorar, por isso são muitas as metas.
O Taekwondo não é uma modalidade muito enraizada no nosso país, o que te levou a praticar esta modalidade?
Eu cheguei ao Taekwondo por acidente. Havia um ginásio perto de minha casa, a minha família foi toda para lá fazer alguma coisa, os meus pais faziam musculação, a minha irmã foi para as aulas de dança.
O taekwondo era a única coisa que eu podia fazer, para musculação era ainda muito novo, no kickboxing a turma já era muito avançada. Comecei a fazer umas aulas, no inicio não mexia nada comigo, mas depois começámos a fazer uns treinos de combate e a partir daí fiquei fascinado.
Cada vez gosto mais e acho que era quase impossível viver sem isto.
O que falta para este desporto vingar em Portugal?
Faltam os meios de comunicação começarem a dar mais importância ao desporto.
Darem, por exemplo o mesmo destaque que dão ao judo.
Que tipo de apoios recebem?
Basicamente é tudo através de amigos e os patrocínios por conhecidos, não há nada que tenha vindo de fora. Isto, mesmo sendo um desporto individual, é como se fosse um desporto de equipa, porque eu para treinar não o faço sozinho, tenho que treinar com os meus colegas, então tiramos as partes boas do desporto individual e do desporto colectivo. Temos na mesma o espírito de equipa, temos uma entreajuda muito grande, mas ao mesmo tempo, quando estamos la dentro, somos só nós.
Como consegues conciliar a vida de estudante universitário com a de atleta de alta competição?
Não é fácil. É preciso muito esforço. É, mesmo estando numa competição, ter que estudar, seja na viagem ou mesmo durante a competição. O tempo não chega para tudo. É preciso organizar muito bem, porque às vezes temos treinos às seis e meia da manhã e vamos daqui directos para as aulas. É necessário aproveitar todos os furos do nosso horário.
É uma vivência que poucas pessoas têm, por isso há que aproveitá-la e tirar o melhor dos dois mundos, com alguns sacrifícios.
O facto de estares ligado ao ABC de Braga trouxe-te benefícios?
Antes estávamos nas escolas de taekwondo Serrão.
Ainda assim, acho que trouxe muitos benefícios, porque o ABC já traz uma grande história. Acho que traz uma visibilidade diferente.
Quem está de fora vê um clube que conhece.
O ABC está a ajudar-nos com isso e nós, se calhar, também estamos a fazer alguma coisa pelo ABC, porque estamos a ter bons resultados.
Que mensagem gostarias de deixar para aqueles jovens que gostariam de começar a praticar taekwondo?
É fácil começar no taekwondo, porque eu lembro-me que, no início, treinava duas vezes por semana.
Depois, ajuda-nos a conseguirmos organizar o tempo e o desporto também nos ajuda a aliviar certas pressões que possamos ter no dia-a-dia.
O exercício físico traz tantos benefícios e um deles é ajudar-nos a limpar a cabeça.
A vertente das artes marciais traz-nos um domínio maior.































































































































































































































































































Ultrapassado que está metade do mandato de António Cunha à frente da reitoria da Universidade do Minho, o reitor faz um balanço positivo do que foi feito e abordou temas quentes na actualidade universitária.

