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“Generation é um projecto que mais nenhum município em Portugal teve coragem de assumir”

Hugo Pires...
Presidente da Fundação Bracara Augusta, entidade responsável pela Capital Europeia da Juventude na cidade de Braga no próximo ano, fala em exclusivo à RUM e ACADÉMICO sobre temas relacionados com a juventude e o projecto que promete revolucionar a cidade de Braga... GeNeRation.

A oposição critica o facto de as  associações juvenis não estarem a ser envolvidas no projecto da Capital Europeia da Juventude como deveriam. Dizem, inclusivé, que estão a ser recusadas muitas ideias dessas mesmas associações.
Não teme que o programa da juventude seja prejudicado por causa disso?
Não concordo com alguma das críticas do Dr. Ricardo Rio. 
Existe, neste momento, a tentação de algumas pessoas de colar ou de pôr a Capital Europeia da Juventude (CEJ) ao nível da Capital Europeia da Cultura. Estamos a falar de coisas diferentes.
Estamos a falar de um projecto, Capital Europeia da Cultura, que é um projecto nacional entregue pelo próprio Governo a Guimarães em 2012 e estamos a falar de um orçamento, com infra-estruturas e programação, de 110 milhões de euros. Só para programação têm 25 milhões de euros.

E a CEJ é um projecto estritamente municipal?
É um projecto estritamente municipal. É o quarto ano que se realiza este evento ao nível europeu. A primeira cidade foi Roterdão, a segunda Turim, Antuérpia e depois será Braga. É, como disse, um projecto estritamente municipal que foi a concurso onde tivemos de apresentar um candidatura e tivemos que defender o nosso programa e o que é que iremos fazer, em 2012 em Braga. Fomos a concurso com mais nove cidades europeias e ganhámos esse concurso. Mas ao nível do financiamento o Governo não põe aqui um tostão.
Apresentámos um orçamento, na altura, à Comissão Europeia e ao Fórum Europeu da Juventude  de um milhão e quinhentos mil euros, entretanto conseguimos enquadrar a CEJ e todo o programa que tínhamos apresentado em Bruxelas numa candidatura ao QREN, e nesta conseguimos um financiamento de quatro milhões e meio (estamos aqui a falar que vamos buscar dinheiros europeus). Tivemos de explicar quais eram as três linhas orientadoras estratégicas para a capital e quais são: 
- Sobretudo numa altura difícil, tentar dar mais ferramentas aos jovens para enfrentar o mercado de trabalho (temos hoje uma média do desemprego nos jovens que é o dobro da média nacional);
- Promover a participação cívica dos jovens na cidadania activa, porque estes estão cada vez mais afastados dos projectos de decisão e nós queremos trazer os jovens para a construção da sua cidade e dizerem o que é que querem da sua cidade o que é que querem do seu país. Nesse sentido será elaborado um documento, porque em 2012 haverá o Fórum da Juventude no Rio de Janeiro e uma reunião de todos os chefes de estado onde Braga será a porta-voz;
- Promover internacionalmente Braga como uma cidade com um passado e património riquíssimo, com mais de 2000 anos de história, a cidade mais antiga de Portugal e como uma cidade jovem, de futuro dinâmico e que tem muito para oferecer.
E não tem dúvidas de que o programa vai ser consentâneo com isso e que vai ser um êxito?
Não, o programa foi feito e idealizado à volta destes três grandes eixos. Quando apresentámos a candidatura ao QREN, apresentámos uma candidatura que já tínhamos formalizado ao Fórum Europeu da Juventude e na Comissão Europeia e apresentámos também a intenção de requalificarmos um espaço do centro histórico que seria a síntese de toda a programação da Capital Europeia da Juventude. Queríamos que acontecessem, nesse edifício, todas estas coisas que estamos aqui a dizer. Será o edifício âncora da CEJ. Queremos reabilitar este edifício, que tem como principal objectivo ser a síntese da capital e de tudo que irá acontecer. Para além disso, queremos que vá ter, depois, um efeito de reabilitação urbana no centro histórico. Era um edifício que não tinha uso e ao darmos um novo programa e nova função estamos, também, a ajudar os jovens, a criar dinâmica e movimento no centro histórico e a tentar contaminar toda aquela envolvente do centro histórico. Depois, não tenho dúvidas que haverá lá gente de indústrias criativas, na incubadora de empresas, a criar e a morar, e que isso depois vai contaminar toda aquela envolvente.
Acredito muito naquele projecto, é um projecto em que nos metemos de cabeça e, sobretudo, é um projecto com muito futuro e que mais nenhum município em Portugal teve coragem de assumir.
Existe uma coisa relativamente parecida em Lisboa (LXFactory), mas vamos entrar numa rede de edifícios com esta funcionalidade ao nível europeu, mas é sobretudo um projecto de vanguarda e absolutamente inovador em Portugal.


 
 
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