Após a “revolução dos cravos”, a entrada no mundo universitário e a obtenção de um “canudo” era visto por muitos como um privilégio, sendo um passaporte seguro para quem pretendesse ingressar no mercado de trabalho com sucesso. Porém, as inúmeras mudanças socio-económicas que Portugal e a Europa têm vindo a sofrer nos últimos anos provocaram um impacto profundo nas saídas profissionais. Consecutivamente, ocorreu uma revolução nas perspectivas de emprego que acabou por conduzir a uma readaptação da população a esta nova realidade…O desemprego dos diplomados na Universidade do Minho
É um dado certo a incerteza em relação ao futuro profissional de grande parte dos estudantes, uma vez que toda a reestruturação da dívida pública e do Orçamento do Estado conduzirá a um agravamento da qualidade de vida/poder de compra no território português.
Com o objectivo de dar resposta, e ao mesmo, tempo auxiliar a comunidade académica, a Universidade do Minho (UM) publicou um estudo cujo tema central se debruça sobre o índice de empregabilidade dos cursos leccionados na instituição. As conclusões divulgadas demonstram que cursos como Engenharia Têxtil ou Filosofia apresentam níveis de desemprego consideravelmente superiores à média nacional.
Em contrapartida, os recém-graduados em Licenciaturas de Ciências da Comunicação ou História apresentam uma maior facilidade de obtenção de emprego comparativamente com o resto do país.
Empreendedorismo, uma “saída para a crise”
Segundo Luís Rodrigues, presidente da Associação Académica da UM (AAUM), a organização que preside “procura aproximar a Universidade do Minho do mercado de trabalho, através do seu departamento de Saídas Profissionais e Empreendedorismo. É fundamental incutirmos aos estudantes conceitos e fornecer ferramentas que proporcionem um desenvolvimento de capacidades diferenciadoras, através de um sem número de workshops e tertúlias. Neste âmbito, o empreendedorismo acaba por ser uma saída para a crise, uma vez que fomenta a criação do auto-emprego de valor acrescentado para o mercado. Desta forma, a AAUM preocupa-se com a integração dos alunos no mercado de trabalho e a aplicação do conhecimento adquirido.”
Optar por outros caminhos
Uma vez terminada a licenciatura, Ana Sousa, aluna do terceiro ano de Filosofia pretende dedicar-se à obtenção de um Certificado de Competências Pedagógicas de Formador (CCP). “Tendo em conta que planeio seguir a carreira de professora, as probabilidades de não obter emprego são muitas, uma vez que quem se encontra no primeiro escalão dificilmente consegue ingressar num quadro. Deste modo vou ter que optar por outros caminhos”, salienta a aluna. Quando questionada sobre o panorama de instabilidade financeira em que o país se encontra submerso, a aluna demonstra-se apreensiva, já que não consegue precisar se os cortes e alterações trarão, ou não, vantagens. “Noto um feedback positivo e esperançoso da população, embora existam vozes que se opõem, pelo que desconheço até que ponto isto nos influenciará quando entrarmos no mercado de trabalho em 2012 e anos vindouros”, sublinha.
Olhando em retrospectiva para as expectativas profissionais que tinha há alguns anos, Ana mostrava-se mais confiante, uma vez “que primos e restantes familiares conseguiram ingressar no mercado de emprego com facilidade, e agora não vai ser assim tão fácil”, acrescenta a aluna.
Esforços que calham a todos nós
Quando confrontado com os seus receios para o mundo exterior, depois de findado o seu percurso académico, Tiago Pires Barbosa, discente no mestrado em Economia Industrial e da Empresa, adianta: “Pretendo entrar na empresa dos meus familiares, dando continuidade ao projecto que até agora tem sido desenvolvido”.
Relativamente aos abalos de que a sociedade portuguesa tem sido vítima, o estudante demonstra-se solidário: “São esforços que calham a todos nós, com o objectivo de melhorarmos as nossas condições de vida, pelo que estou confiante de que, num prazo de dois anos, nos reergueremos, não na totalidade, mas penso que será extremamente compensador”, finaliza o estudante.
Mais vale um canudo e currículo na mão do que nada
Jessica Barbosa encara o futuro com bons olhos, esperando “arranjar emprego, não descurando no entanto, a possibilidade de frequentar um mestrado”. “Vou tentar a minha sorte e dar aulas ao mesmo tempo que tiro a pós-graduação no Porto, uma vez que na UM é impossível.” Caso não consiga obter emprego na sua área, a finalista do curso de Línguas e Literaturas Europeias revela-se conformada, “uma vez que mais vale ter um canudo e currículo na mão do que nada”. Por outro lado, a aluna concorda com os cortes orçamentais, embora ache que “estamos todos a pagar pela irresponsabilidade de alguns funcionários públicos, que se aproveitaram das regalias durante anos a fio, e agora é a nossa geração que vai sofrer as consequências.” Jessica não descarta de todo emigrar, caso “ganhe melhor e obtiver melhores condições de vida.”
Um futuro incerto e imprevisível…
É do conhecimento geral que o desemprego na zona EURO subiu substancialmente nos últimos anos, prevendo-se um agravamento nos próximos. Esta situação levará a um aumento da competitividade e maior selectividade dos candidatos aos cargos de emprego que são cada vez mais escassos.
Deste modo, como é que os estudantes portugueses se conseguirão destacar no exigente mercado de trabalho? Será possível que o corte no investimento no Ensino Superior, embora efectuado com vista a reduzir o défice público, não poderá vir a revelar-se como sendo prejudicial para os estudantes, diminuindo a qualidade da sua formação?
Não poderá isso resultar em jovens graduados que não se encontrem dotados das ferramentas necessárias para singrarem no mercado profissional?
Só o tempo o dirá…

Ultrapassado que está metade do mandato de António Cunha à frente da reitoria da Universidade do Minho, o reitor faz um balanço positivo do que foi feito e abordou temas quentes na actualidade universitária.

