A noite começa (ou passa), para muitos, pelo lendário café Milenário, paredes meias com a muralha que viu nascer Portugal e, agora, paredes meias com o novo espaço do Laboratório das Artes – uma bela dica para o próximo fim-de-semana, café no milenário, exposições no Laboratório, tudo sem dar mais que... seis passos e sem sair do centro da cidade. O Laboratório das Artes, colectivo de quatro artistas plásticos com dez anos de vida, ocupa agora um edifício de três pisos na cidade de Guimarães (imaginem o Maus Hábitos, no Porto, para terem uma ideia do que escrevo). Depois do café no Milenário (obrigatório!), entramos no espaço. Subimos ao primeiro andar, onde figura uma exposição/instalação “Lição de Anatomia”, de Pedro Valdez Cardoso, resultado de um convite “a fazer uma instalação que juntou a arte e a medicina”. Luís Ribeiro é um dos quatro magníficos que nos guia por este local. “Este objecto resulta como uma simulação de uma trincheira de guerra, para partes do corpo fragmentado, remete para a imagem histórica de Portugal”. São sacos e sacos de serapilheira amontoados no centro da sala, com uma luz forte apontada, como uma operação cirúrgica, como um foco de culpa a uma guerra qualquer.Duas exposições
Seguimos ao terceiro piso – guardamos o segundo para o final. “Olhar Amplo”, uma exposição de José Almeida Pereira que procurou “fazer a relação com a anterior função do espaço [o Salão de Jogos Apolo]”. Assim, na parede, um conjunto de “imagens em aguarela retiradas da NASA”, representando as galáxias, “a escultura de uma das luas de Júpiter, a Europa” e uma penumbra apenas entrecortada pelos escassos raios de luz que ecoam dos recortes “com elementos astrais”. No fundo, José Almeida Pereira procurou representar em cada uma das janelas as diferentes bandeiras que compreendem vários elementos astrais, como a bandeira da Turquia ou Israel, por exemplo. “São exposições que vale mesmo a pena ver”, diz o suspeito Luís Ribeiro, “ficam patentes até 25 de Junho”, às sextas e sábado, das 16h30 às 19h30.
Experimentação e multifuncionalidade
Descemos ao segundo piso, uma parede intervencionada e colorida a percorrer toda a sala, urbana e experimentada. Bancos que mais parecem baldes virados ao contrário, um pequeno bar ao fundo, mesas e mesas. Este é o espaço do convívio, das conferências, dos concertos musicais, do encontro dos amigos, da boas ideias. Até porque Laboratório das Artes, o colectivo de dez anos, rima com isso, com essa multifuncionalidade e experimentação. “A questão da experimentação está sempre presente. O facto de todos sermos formados em artes plásticas é importante, esse é o nosso núcleo, mas fomos crescendo para outras áreas, criando ramificações que tornaram o nosso projecto mais coeso”, elucida. Ramificações como exibição de filmes, conferências, concertos de música experimental. “A confluência destas diferentes áreas tornaram o Laboratório real”, revela Luís Ribeiro.
Breve história
Todos bem acomodados, recuamos dez anos, à formação do colectivo composto por Jorge Fernandes, José Emílio Barbosa, Luís Ribeiro e Nuno Florêncio. “Guimarães era, se olharmos para trás, uma cidade que estava apenas confinada a um único espaço, a Galeria Gomes Alves. Quando aparecemos estava tudo por fazer”, avança, acrescentando que tudo começou por um convite de um empresário para ocuparem uma loja que tinha acabado de fechar numa rua muito movimentada. A ideia era apresentar trabalhos feitos na Escola Superior Artística do Porto (ESAP) – pólo de Guimarães. Seguiram-se oito meses de intensa actividade. Aliás, a história do Laboratório confunde-se com uma mudança contínua de casa – em dez anos, esta é a quarta casa que ocupam. A história confunde-se ainda com três projectos de exterior: o “Teleférico”, projecto financiado pelo Ministério da Cultura e que propunha a exposição de obras no teleférico de Guimarães; O projecto Fábrica, a ocupar uma fábrica abandonada; e em 2008, o projecto “Informal”, em que criaram um roteiro artístico pegando em espaços institucionais da cidade, que habitualmente nada têm a ver com ambientes artísticos. As informações estão disponíveis em laboratoriodasartes.wordpress.com. Mas o Laboratório das Artes promete surpreender muito nos próximos tempos. Mas uma coisa é garantida: é um dos espaços e colectivos culturais mais interessantes de Guimarães.
José Reis
















































































































Ultrapassado que está metade do mandato de António Cunha à frente da reitoria da Universidade do Minho, o reitor faz um balanço positivo do que foi feito e abordou temas quentes na actualidade universitária.

