Poucos grupos apresentam a capacidade de mudança dos Liars, que de disco para disco fazem questão de nos surpreender pela ruptura com o passado e pela proposta de futuro. «Sisterworld», o 5º álbum de uma requintada linhagem, faz questão de sublinhar isso mesmo.É verdade que desde 2002, quando se estrearam com o caótico «They Threw Us All In A Trench And Stuck A Monument On Top», logo assumiram uma estética de choque que até hoje se mantém. Mas os recursos que colocam ao dispor de uma música que parece sempre estar a um milímetro da demência têm variado ao mesmo ritmo com que resolvem adoptar pontos de referência opostos, a cada disco, para olhar para o mesmo fenómeno. Com as vísceras, evidentemente, no centro de um processo criativo que apela à expansão de limites.
Em «Sisterworld» somos levados por um mundo simétrico onde tudo nos parece estar ao contrário, entre sons ameaçadores de guitarras uivantes e ritmos tribais que recolhem os cacos que sobraram de «Drums Not Dead», o seu disco de 2006 que explorou até ao limite o papel da bateria na conceptualização do rock enquanto fenómeno de celebração.
Não admira a sensação de que ao ouvirmos «Sisterworld» estamos a arriscar a nossa própria saúde mental, tal a reconstrução que esta música exige às nossas células sensoriais, chocadas com a experimentação que se aproxima de delírios cujo sentido é custoso atingir e que acabamos que perceber como algo saído de divagações existenciais que resultam de complicadas texturas de vida. E nesta música encontramos em simultâneo tudo o que nos parece impossível atingir, ou mesmo aspirar, e o muito que tivemos que deixar para trás, controlados por condicionantes externas que nos retiram espaço de acção.
«Sisterword» é mais um disco questionante que os Liars nos entregam, na forma e no conteúdo, exigindo de nós o esforço de compreensão de uma música de fracturas expostas e que faz do rock o ponto de partida de um desafio autêntico de etnografia cultural urbana. E é também um disco que aumenta a convicção de que mais nenhum outro colectivo de músicos, que não os Liars, seriam capazes de nos entregar esta peça em estado bruto de ebulição.
Nota: existe uma edição limitada de «Sisterworld» que inclui uma remistura de cada um dos temas da versão original. Estes trabalhos foram entregues a artistas como Thom Yorke (Radiohead), Tunde Adebimpe (TV On The Radio), Bradford Cox (Deerhunter / Atlas Sound), Melvins, Alan Vega (Suicide), Chris and Cosey (Throbbing Gristle), Blonde Redhead e Devendra Banhart. Em todas elas se nota a dificuldade que mesmo os melhores sentem em expandir a explosiva formulação rock proposta pelos Liars...
Pedro Portela











































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































Ultrapassado que está metade do mandato de António Cunha à frente da reitoria da Universidade do Minho, o reitor faz um balanço positivo do que foi feito e abordou temas quentes na actualidade universitária.

