O presidente do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e o director do Jornal de Notícias juntos num debate promovido pela Fundação Bracara AugustaA pergunta era “Os media: instrumentos de alienação ou de participação?”, mas a verdade é que nenhum dos conferencistas conseguiu dar uma resposta à mesma.
De um lado, o presidente do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, o professor Manuel Pinto, e do outro, o director do Jornal de Notícias, José Leite Pereira. Estas duas personalidades da área da comunicação juntaram-se à mesa, num debate promovido pela Fundação Bracara Augusta, que se realizou, na passada sexta-feira, no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, com moderação da professora Helena Sousa, docente e investigadora do Instituto de Ciências Sociais da UM. Este foi o segundo encontro do X Ciclo de Conferências, que a referida fundação está a desenvolver ao longo deste ano, subordinado ao tema geral “ Que valores para o nosso tempo?”
No debate, o professor Manuel Pinto teceu várias críticas no sentido de não haver canais de aproximação dos jovens à imprensa, notando uma necessidade de que se incuta nas camadas mais jovens da sociedade uma participação mais activa e interventiva na cidadania. Nesse âmbito, para o investigador, é necessário haver “uma educação para a cidadania”. Manuel Pinto trouxe também para o debate a “crise” que se está a atravessar no momento, recordando que até mesmo a nível de conteúdos esta se faz notar. “A informação está contaminada pela publicidade e pelo entretenimento, ou seja, coisas que antes eram claras e distintas, hoje tornam-se confusas”, explicou. Mas esta época problemática a nível económico, traduz-se, também, noutras repercussões nos media: “Em clima de racionalização, o jornalismo é cada vez mais comandado pelas fontes e pelos grandes interesses económicos que vão influenciando a agenda mediática”, acrescentou o investigador.
José Leite Pereira, por sua vez, lamentou a época complicada que os media tradicionais, como os jornais, atravessam, nomeadamente com a queda das receitas publicitárias e com a perda de público. Assim, segundo o jornalista, a salvação seria colocando-se ao serviço dos grupos económicos, pondo de lado, entre outras coisas, questões como a ética e o serviço público. “Chamem-me optimista e ingénuo, mas ainda acredito na informação livre e séria em Portugal e os grandes responsáveis por isso são os jornais”, acrescentou José Leite Pereira.
José Leite Pereira adiantou, ainda, que as suas preocupações para o jornal de cada dia se baseiam em três aspectos fundamentais: “O que podemos ter no jornal que faça com que o leitor o compre, em que é que podemos ser melhores e o que é que podemos dar ao leitor”. Na sua intervenção, o director do Jornal de Notícias referiu um estudo da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) para o ano de 2009, na qual se podia ver que o jornal mais beneficiado com publicidade estatal era o Correio da Manhã e, nesse aspecto, o jornal que dirige se encontrava a larga distância. Pegando neste caso, José Leite Pereira asseverou que se devia criar um “observatório” que controlasse esse fenómeno.
O jornalista referiu-se, ainda, ao intuito de que os jornais façam jornalismo de proximidade com os cidadãos. Nesse sentido, exemplificou com alguns projectos que o seu órgão tem - “Entre Palavras” e, futuramente, o “Media Lab” -, destacando inclusive o espaço no site do jornal para os comentários dos cidadãos, nem sempre utilizados da maneira devida.
José Leite Pereira mostrou, ainda, o seu agrado pelo “conceito de independência que alguns jornais adoptaram a seguir ao 25 de Abril, fazendo serviço público ao serviço dos cidadãos”. Recordando algumas publicações ligadas a partidos políticos que tiveram curta duração, o jornalista afirma que “os políticos sempre foram maus a fazer primeiras páginas”.
Em jeito de conclusão, o director do Jornal de Notícias concordou que, por vezes, os jornais podem não cumprir a sua missão devido a contratempo de natureza económica, no entanto, garantiu “nas redacções lutamos contra isso”.


















































































Ultrapassado que está metade do mandato de António Cunha à frente da reitoria da Universidade do Minho, o reitor faz um balanço positivo do que foi feito e abordou temas quentes na actualidade universitária.

